terça-feira, 7 de janeiro de 2014

O Narcisico

Sempre quis escrever sobre o narcisismo, ou sobre aqueles que estão apaixonados consigo próprios. Eis que me deparei com uma oportunidade singular.
O narcísico…
A paixão do seu eu, da sua própria pessoa enquanto ser que interage não deixa de ser profundamente, dependente dos outros.
A construção do eu narcísico acontece muito cedo, mas a exacerbação na idade adulta é uma imagem de si próprio imperfeito e singularmente partida. Pois o ser narcísico, aquele que é perfeito em si mesmo, encerra uma contradição absolutamente angustiante, uma vez que constrói um exagerado culto de si próprio, de uma auto imagem perfeita e protectora do seu eu amado ser e só o poderá fazer por comparação. Triste comparação, uma vez que a selecção do que se compara é aleatória e pressupõe uma consonância cognitiva encapuzada constante.

O ser narcísico começa a espalhar-se, a disseminar-se como se de uma doença colectiva se tratasse. Quase todas as plataformas de redes sociais, têm este efeito. Conseguem hiperbolizar o ser narcísico e de repente quase todos dão por si a projectar ou a tentar projectar uma imagem de perfeição e de unicidade do seu eu.
O que escrevemos ou o que se partilha tem a intenção de glorificar o eu, de congelar o momento conseguindo uma grande experimentação do ego. Consciente ou inconsciente a capacidade de conseguir despertar no outro uma grande admiração e adoração por tudo o que o que se projecta em conteúdos.
Ficámos mais pobres… Onde está o verdadeiro narcísico aquele que busca a perfeição ou a elevação do seu eu sem objectivação?