terça-feira, 25 de julho de 2017

Não gosto do morno. Não gosto do poucochinho. Não gosto do assim assim. Não gosto daquilo que os outros chamam normal. Gosto de tudo. Quero tudo. Quero muito. Emoções. Acções. Sentimentos. Elevações.
Gosto quando sinto a vida. A vida toda por completo. 

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Não podia estar mais de acordo com António Lobo Antunes "A melhor maneira de lidar com os outros é tomá-los por aquilo que eles acham que são e deixá-los em paz". Existe nos dias de hoje, os únicos que conheço e que alguma vez conhecerei por contacto directo com tantas pessoas, muitas e muitas e muitas pessoas que se dizem, que se acham, que querem sempre transmitir aos outros a imagem, a ideia, o conhecimento, os valores que gostariam que os outros acreditassem quando das duas uma eles próprios precisam de acreditar ou querem que os outros acreditem: Quando na página da vida deles, cheia de contas, frases, fotografias conversas, promessas  que querem projectar não passam de vazios e ar de nada e pior exactamente o contrário do que querem projectar. Projectando a maior parte das vezes imagens falsas do que realmente são, ideias certas mas sem sentido de vida para os próprios e pior para os outros que envolvem na sua vida.
Não é para mim nenhuma surpresa tudo isto, ao longo dos anos cruzei-me com algumas pessoas boas e honestas. Pessoas cuja vida não têm medo de viver sendo o que são e o que pensam e não têm medo de fazer. Essas são poucas. Essas são aquelas que queremos sempre perto de nós. Mas existem tantas e tantas outras cheias de nada, cheias engano, com tanta desonestidade que começaram alguns a acreditar neles próprios. Essas eu não quero, mas por alguma razão ou por outra, principalmente por achar que as pessoas podem ser como eu, vêm ter comigo, eu acredito e acredito e deixo e depois, porque nada na vida se mantém escondido ou encoberto, lá vem a verdade. Aquela que gosto, mas que faz sofrer e magoar, porque a descoberta que mais uma vez fui enganada é demasiado difícil.
Mas hoje e a partir de hoje decidi que tratarei os desonestos intelectuais, os traidores, os desleais, os mentirosos como eles merecem. Acreditando e deixando-os em paz. Só assim posso estar em paz comigo. Só assim poderei prosseguir. Só assim conseguirei sobreviver.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Escrever

Tenho ganas de escrever. Escrever e não parar. Escrever o que sinto, escrever o que vejo e até disto e daquilo de mim e dos outros. Escrever qualquer coisa e qualquer coisa escrever. Quero pôr em palavras escritas todos os pequenos sentimentos, as grandes memórias, as mais ou menos experiências e até coisas e coisinhas. Quero comecar a dedilhar no teclado sem parar para pensar. Pensar que posso sublimar tudo só com as palavras que me saem dos dedos. Às vezes escuto o silêncio da minha cabeça e o vazio das palavras que podem ser escritas mas que ficam por dizer só deixam o mais por escrever. Mas quando a cabeça não pára, os dedos não param sai um pequeno texto por vezes cheio por vezes vazio.
Não há nada mais que me preencha tanto como escrever. Escrever agora que a doce leitura vai rareando por não conseguir ler as letras pequenas. Temos tanto para contar. Temos tanto para dizer. Temos tanto para saber.
Aqui numa folha branca vamos colocando em preto uma ideias e uns sentires tolos de quem quer passar o tempo a comunicar com o mundo que não vê e não sabe quem escreve e o que escreve.
Escrever para nós e só para nós.

Lisboa

A luz fugidia do final de tarde, o crepúsculo vem mais cedo, o verão acabou, e com um silêncio quebrado por alguns carros,  invade a cidade que parece sozinha. A luz fraquinha deixa uma perturbação e uma vaga emoção de tristeza.
Os prédios com cores esbatidas, alinhados e desalinhados, as pessoas que passam apressadas, sem expressão, automatizadas e com destino certo deixam transparecer o sentimento de solidão da cidade. 
As árvores que vão deixando cair as suas folhas que se juntam no chão com papéis e beatas trazem ao pensamento o abandono. Ao longo dos anos nunca percebi o porquê desta tristeza, deste vazio nas ruas da cidade. Cheia de tudo e em nada. 
Lisboa tem em si o turbilhão de todos os sentimentos e como uma pessoa às vezes alegre e maravilhosa, às vezes triste e sozinha. Nem sempre queremos saber da nossa cidade, que está viva. A vida suga-nos sem que possamos olha, escutar e sentir. Os encargos do dia a dia não nos deixam ver, escutar e sentir. 
Da minha janela vejo a ponte e o cristo-rei, às vezes cheia de luz e cheia de cor, às vezes emerge por dentro de uma bruma densa de nevoeiro. Está a chegar o inverno e com ele uma palete de cor mais parda e murcha. 
Lisboa... Viva e sempre cheia de emoções está aqui.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Chove

Chove torrencialmente. Está tudo pingão e cinzento. Do meu gabinete vejo o Cristo-Rei metido dentro das nuvens cinzentas. Os tons de cinzento escuro estão por todo o lado e a paisagem esconde-se atrás de um nevoeiro que não deixa ver as cores e o desenho dos prédios coloridos de Lisboa. O recorte pequeno do rio Tejo que vejo da minha janela está tão escuro que parece um poço. Este cinzento confunde-se com o meu estado de alma. Entranha-se. Nestes dias que te retalham a alma com traz-me à memória os dias intermináveis da semana chuvosa quando era pequena. Não gosto de pisar as poças de água, molho os sapatos, tenho frio. O frio não te deixa viver, às vezes ver, às vezes sentir aquela brisa de vida que o sol traz. Preciso de ver as cores todos os dias.

segunda-feira, 21 de março de 2016

Nós

A felicidade é quando encontramos em nós próprios a tranquilidade daquilo que somos e queremos. Quando sabemos que somos imperfeitos e que dessas imperfeições vêem momentos menos bons e momentos de fraqueza que nos derrotam e nos fragilizam. Mas é também quando sabemos que nessa fragilidade está a força da criança, adolescente e jovem que fomos, que construímos os risos e as vitórias, que descobrimos o mundo e descobrimos os outros, que atabalhoadamente vamos aprendendo a defendermos-nos das pessoas e das situações. E quando sentimos que mesmo que estejamos muito frágeis em nós quer reside a fortaleza de construir um amanhã melhor e pensar que é bom estar vivo e partilhar. Também é nessas alturas que temos sempre ali ao lado uma estrelinha, que brilha e nos diz: Não fiques triste, mas se ficas eu compreendo, porque estamos tantas vezes sozinhos.

Mas se não tivermos estrelinha, também vai ficar tudo bem, porque o brilho vem de dentro. E para brilhar não precisamos de falar nem fazer. Para brilhar precisamos de olhar o mundo com um certo passo mais lento e devagar como quem espera por o nascer do sol e ainda tranquilamente vê o sol a pôr-se.
As estrelinhas somos nós. Só nós.

Mais um dia...



Entro de cabeça erguida. Mais um dia com tanta gente há minha volta, mas com a sensação de solidão. A sensação que nada do que dizem é verdadeiro ou tem interesse. Oiço falarem mas não estou a processar. Tenho a cabeça noutro sítio. Sei que estou a responder por intuição da linguagem verbal. Correspondo mas sem pensar ao que dizem. Tenho um desinteresse quase de desprezo por o que falam, todos em grande preocupação, pela preocupação inexacta e por um amparo vazio. A curiosidade de todos é uma curiosidade necrófoba. É aquela curiosidade  de ver a tragédia e sentir que as vidas deles são melhores ou estão melhores. É a eterna miséria poucochinha do português. Os coitados têm sempre a solidariedade, oca, pois claro, pouco real, de quem se quer sentir melhor com a merda de vida que têm.
Tenho sempre esta sensação que as palavras que me dizem não são verdadeiras, são clichés sociais que precisam de ser ditos naquele momento. Mas entro e sorrio e agradeço e prometo tratar da minha saúde. E entro com uma sensação agridoce que me faz sentir arrepios. Não sei o que pensam verdadeiramente, mas na realidade nunca me interessou o que pensam. Se parar, escuto os pensamentos de toda a gente. Escuto a censura e o sentir de vitória. Se escutar com atenção sei o que pensam. Na realidade não me interessa o que pensam, nem tão pouco o que sentem. 
Hoje é um dia diferente. O dia que tinha medo que acontecesse. Aconteceu há uns dias. O dia do cair, do sucumbir e do morrer um bocadinho. Há muito que tinha medo deste dia. Agora que aconteceu, tenho medo que marque um marco na minha vida. Tenho medo de não conseguir fingir um pouco mais ou de já não conseguir fingir.
Preciso de juntar os cacos, colar de alguma forma e prosseguir. Vou arranjar uma maneira. Penso isto enquanto ainda escuto algumas pessoas aqui dentro. Vou dizendo que sim e pensando na estratégia de prosseguir.

Até um dia. Se chegar.