quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Desonestidade Intelectual


Não há nada mais deprimente do que o ser humano que joga comas palavras. Joga consoante o seu interesse, consoante o momento e até num jogo de palavras manipula o seu interlocutor. Na desonestidade intelectual existem dois tipos de pessoas que a fazem, os que têm a perfeita consciência do jogo de manipulação e os que não têm a consciência, ou seja os burros. Parece-me a mim que a burrice também não passa da manha das palavras para quando dá jeito. Ora se conseguem ser desonestos intelectualmente, consciente ou inconscientemente remetem-se para níveis de manipulação, próprios de pessoas que não na vida para relativizarem tudo ou para com frontalidade encararem os momentos como eles deverão ser. Factuais. Não se pode ganhar sempre, não se pode estar sempre por cima, não se pode capitalizar sempre, não se pode usar sempre os outros.

A desonestidade intelectual é das coisas que mais me aflige nas pessoas. É uma espécie do que dá mais jeito, uma espécie de "deixa-me lá perceber se me posso safar", é uma espécie de "deixa-me somar". Torna o raciocínio distorcido, as discussões vazias e sobretudo a oportunidade de aprender mais viva e presente. Aprende-se, naturalmente, a estar na vida com um instinto de sobrevivência assustador. Mas parece que todos aceitamos isto, com alguma passividade.

O ser humano desonesto intelectualmente encerra em si a contradição sempre latente. Existe neste tipo de índole uma relativização de tudo para o nível do interesse, sempre próprio.
Não deixa de ser interessante o momento, em que com honestidade, quer arrecadar a honestidade, momento raro, mas que existe e sempre com grande admiração se constata.

Carece, ainda neste espaço de abstracção sobre esta questão, tentar definir a questão da desonestidade intelectual.

Uma pessoa é intelectualmente honesta quando, sabendo a verdade, afirma a verdade, reflecte sobre a verdade, infere sobre a verdade, cujo único elemento são os factos que a compõem.
Dou alguns exemplos da desonestidade intelectual. Factos e informações relevantes podem ser propositadamente omissos quando as situações contradizem a própria hipótese, ou factos podem ser apresentados de forma parcial ou retorcidos com conclusões enganosas, de modo a dar a entender outro caminho que não aquele que faz direito à verdade colocada. De um modo geral, qualquer um destes comportamentos cairia sempre sobre a desonestidade intelectual.

Também existe outro tipo de derivações da desonestidade intelectual. Aquele que ignora deliberadamente factos, argumentos ou informações que possam prejudicar a sua posição. Aqui estamos perante a subcategoria de ignorância intencional. Mas quem é que ignora intencionalmente? O desonesto intelectual.

As formas mais comuns de desonestidade intelectual incluem o plágio, a aplicação de padrões duplos, usando falsas analogias, exagero e generalização, apresentando argumentos palha e envenenando o bem que advir dos factos ou acontecimentos.

Como digo, não há nada pior que este tipo de estirpe, acima disto só o mentiroso ou o mitómano. Outro argumento para escrever neste blog.